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Sexta-Feira, 18 de Maio de 2012
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Eleições 2010: Leia entrevista com o candidato a Deputado Estadual Adenor Silva (PV-SP)

Adenor Silva

APADEP: Primeiramente, poderia traçar um histórico básico de sua formação e militância política?

Adenor Silva: Bem, minha origem de vida veio de garoto do profundo interior baiano. Sou filho de lavradores, que inclusive desbravaram a própria terra onde nasci, um povoado chamado Descoberto, que faz parte do município de Coribe, no extremo oeste baiano. Com 13 anos vim para São Paulo, a exemplo de outros membros da família, que vieram aos poucos, incluindo uma irmã freira, já que meu pai estava doente. Viemos por razões de saúde do meu pai e também por idealismo. Cheguei em São Paulo em 1975. Era de família pobre, vivendo de aluguel, passando de casa em casa e, logo que eu cheguei, inclusive no aniversário da cidade, em 25 de janeiro, era um bom período para me matricular na escola, afinal, tinha a formação apenas de 4° ano primário, que era até onde dava para chegar no lugar onde nasci. Estudava em escolas rurais lá na Bahia. Então, me matriculei e passei a morar no Parque Novo Mundo, zona norte da capital, e já estava procurando emprego porque minha família necessitava. Em março de 1976 consegui um emprego de auxiliar de embalagem numa metalúrgica ali da zona norte. Depois nós nos mudamos para a Parada Inglesa, ainda na zona norte e, já lá, em 1976, no dia 24 de novembro, meu pai morreu. Tornei-me órfão de pai em 76 e eu, minha mãe e irmãos, procurávamos nos virar. Meu pai faleceu com apenas 53 anos de idade. Ainda na metalúrgica, fiz um curso de datilografia e, logo após, um teste no Banco Bradesco. Então, saí da metalúrgica e entrei no setor bancário. Trabalhava na corretora do Bradesco, a Codesbra, no bairro Ipiranga, próximo à República. Nestes tempos ainda morava na Parada Inglesa, mas depois tivemos que mudar de novo porque houve desapropriação lá da casinha que nós morávamos. Mudamos de novo para mais um bairro da zona norte que era a Vila Munhoz e, de lá, fomos para a Vila Edna. Do primeiro ao terceiro colegial fiz um curso técnico em contabilidade. Foi nessa altura, em 1981, por recomendação de um professor de português dessa escola, que fiz um concurso para oficial judiciário, que era o nome que se dava ao atual cargo de escrevente técnico do judiciário. No dia 11 de dezembro de 81 entrei no Tribunal de Justiça, onde trabalhei durante 10 anos, dos quais 4 anos no Departamento Cível. Dentro do TJ fiz um curso de estereotipia e passei para o Tribunal de Júri que, agora Defensor Público, estou até hoje.  Como estereotipista, participei de casos célebres, como do Osmani Ramos, do cabo Bruno, etc. E peguei gosto, amor, pela atividade advocatícia do Júri. Mas ainda não estava fazendo Faculdade porque, no passado, havia prestado vestibular para jornalismo na USP e, como não tinha passado, tive que procurar alguma escola particular que eu pudesse pagar. Então, em 1986, já como estereotipista no Júri, entrei na universidade Brás Cubas, em Mogi das Cruzes, onde fiz meu curso de Direito. Em 1990 me formei e no começo de 1991 fiz concurso para Procurador do Estado. Passei e ingressei na Procuradoria Geral do Estado. Em julho de 91, como a Procuradoria cumpria essa função atípica de assistência judiciária aos pobres eu optei, dentro da PAJ, para ficar no Júri fazendo atendimento das pessoas carentes. Aí, com a criação da Defensoria Pública em 2006, fiz aquela opção, prevista na Constituição Estadual, e sou um dos 87 optantes que migraram de Procurador do Estado para Defensor Público. Há 19 anos, portanto, estou nessa função de defesa da população carente. Nesse intermédio todo, participei de vários cursos, em congressos, seminários...até dentro de presídios já participei de congressos. Fiz pós-graduação latu sensu na mesma Brás Cubas em Direito Penal, Processo Penal e Criminologia. Lá também, de 94 a 99, fui professor de Direito Penal. E agora, desde 2005, faço uma segunda Faculdade, que já está praticamente terminada, que é Letras, na USP. Também faço licenciatura em Latim e Português, pois pretendo dar aulas para crianças pobres quando estiver aposentado. 

APADEP: E que contribuições pretende dar enquanto Deputado Estadual? Quais suas aspirações políticas? Por que decidiu se candidatar?

Adenor Silva: Algo que toca em meu idealismo, que sempre esteve embrenhado em mim, diz respeito à ética na política, porque queria contribuir para não ser mais um “daqueles” políticos. Então, entendo que, ocupando o cargo de eventualmente alguém que não segue estes princípios éticos, já estaria contribuindo. Agora, claro que minha plataforma principal tem a ver com aquilo que eu sei e gosto de fazer que é a defesa das pessoas carentes. Estou profundamente realizado profissionalmente e tenho um sonho de ver a Defensoria Pública se ampliar, se fortalecer, e que um dia a instituição não fique na dependência desse convênio com a OAB. Não porque quero depreciá-lo ou denegri-lo, mas porque é muito mais vantajoso termos um sistema de defesa pública das pessoas carentes que realmente vigore na sua plenitude. Então, na Assembléia Legislativa, sem dúvida alguma que as minhas ações serão voltadas sempre para projetos e para o exercício de uma pressão positiva junto ao Governo Estadual para uma oxigenação, para que o ritmo de fortalecimento institucional se acelere. E que a Defensoria Pública se expanda até chegarmos ao um ponto de otimização suficiente para que tenhamos o Estado inteiro coberto por defensores públicos, exercendo a defesa dos mais carentes em todos os níveis e setores. Minha segunda plataforma, que tem a ver com o que estou inclusive fazendo na USP, é a universalização do ensino público e, acima de tudo, a melhoria da escola pública. Quero batalhar muito para valorizar a classe dos professores, contribuir no sistema de educação para que possamos ter uma educação efetiva, de fato ampla e universal, principalmente para todas as crianças pobres.  

APADEP: Como pretende auxiliar, no Parlamento, o acesso à Justiça pela população carente no Estado? Como vê as problemáticas referentes ao número insuficiente de Defensores no Estado e a desigualdade salarial no Sistema de Justiça em São Paulo?

Adenor Silva: Enxergo essas questões com indignação. Quanto à questão salarial, a despeito da previsão constitucional de que cargos similares deveriam implicar uma remuneração similar, tradicionalmente no Estado de São Paulo isso não é cumprido. E a gente escuta todos os tipos de desculpas por parte do Governo...ou seja, vontade política nenhuma para implementar uma remuneração justa. Enfim, já acontece uma injustiça internamente. E por causa dessa injustiça salarial, sem dúvida alguma que o número de vocacionados que poderíamos arregimentar se tivéssemos uma remuneração digna seria maior. Vivemos a perder pessoas extremante capacitadas que acabam migrando para outras carreiras jurídicas por causa dessa depreciação remuneratória. E no que diz respeito à ampliação da Defensoria, para que o acesso à justiça se efetive a contento, naturalmente que quando a Defensoria Pública foi criada esperávamos a formação de um órgão de tal extensão e estruturação, no que diz respeito à aspectos humanos, materiais, tecnológicos, suficientes para atender a demanda da população carente de um Estado da expressão da demografia e extensão como é o Estado de São Paulo. Mas acabou sendo uma estruturação improvisada, muito no varejo, criando cargos de 100 em 100 e desde o início muito tímida. Percebe-se que o governo a criou como para dizer: “cumpri um mandamento constitucional”, mas não dá o fomento e a estruturação que a Defensoria Pública necessita. No Parlamento, embora eu faça a ressalva de que, neste sentido, a iniciativa de toda e qualquer lei pertença ao Executivo, sem dúvida nenhuma que uma atuação de pressão, até de alianças que sejam positivas, com os mesmos objetivos e ideais, estarei inteiramente empenhado em participar. Participarei de todo e qualquer empenho para que a Defensoria Pública amplie seus cargos e que estes sejam providos até que alcancemos um número razoável para que, na equação população/defensor público, possamos atender a essa demanda de necessitados que é enorme no Estado de São Paulo.   

APADEP: E como estão os apoios à candidatura? Qual o balanço, o cálculo para que seja eleito?

Adenor Silva: Estou muito esperançoso, até porque sou um cara muito otimista, mas minha esperança não é pregando ilusão, mas sim baseada em indicações efetivas de apoio. Eu só fico lamentando que, por força de uma legislação eleitoral injusta e desigual, eu não tenha espaço de participação como tem alguns outros partidos mais amplos, com coligações que resultam em aparições na televisão. Além disso, tendo em vista que não contamos ainda com financiamento público das campanhas, algo que eu defendo, percebemos que os políticos que têm dinheiro partem na frente, têm condições de fazer uma campanha massiva, com uma percepção mais ostensiva do que de um candidato limitado no que diz respeito ao patrimônio. Que é o meu caso. Então, o que venho fazendo são visitas de corpo a corpo, usando as ferramentas da internet o máximo que posso, contando com a colaboração de amigos e parentes porque também não tenho a condição de contratar uma assessoria efetiva. Então, como se diz, fazendo “das tripas coração”, mas com muito entusiasmo porque sou um cara, de natureza, bem humorado e alegre. E, como eu disse, otimista porque, se não o fosse, não teria sido um vitorioso até aqui, como demonstra minha própria história de vida. Sobre a estimativa, sendo otimista, se o partido crescer em quantidade das cadeiras que tem atualmente, que são 6, se crescer para 10 cadeiras, digamos que a Marina Silva seja um fator de atração para que o partido cresça desse tanto, dentro do partido se projeta mais ou menos a necessidade de uns 40 mil votos para o candidato a deputado estadual se eleger. Eu acho que é um número bastante elevado, mas atingível. E ainda que não sejamos vitoriosos nesta, claro que intra-partidariamente, a votação que o candidato recebe significa cacife para ele e acho que, se eu atingir uma votação de 15 mil votos, por exemplo, já terei plantado uma semente que frutificará no futuro.

APADEP: Por último, candidato, apresentar argumentos do porquê as pessoas - principalmente os assistidos pela Defensoria e os Defensores Públicos - deveriam votar no senhor.  

Adenor Silva: Primeiro porque não me recordo de nenhuma dentre as funções públicas que tenha como pressuposto a condição de pobreza do ser humano. Como o pressuposto é a condição de pobreza para que nós ajamos, não tem nenhuma função pública que me ocorre agora que seja tão próxima da pessoa que necessita. É preciso valorizar isso. Nós temos uma tradição histórica de desigualdade social. Um defensor público significa um instrumento - não que vá ser a salvação da pátria - mas um instrumento efetivo, na luta pela proteção dos direitos violados ou ameaças de violação, para minimizar essa desigualdade social, que é o grande câncer no Brasil. Estamos em quarto lugar no mundo em desigualdade social. Então, esta é a motivação. Dos cargos públicos, o defensor público é realmente aquele que está mais próximo do cidadão. Ou seja, a defesa efetiva dos direitos das pessoas mais necessitadas de forma determinada, empenhada, aguerrida, para que tenhamos uma sociedade de paz. Além da necessidade de termos representação. Nada mais justo. Todas as demais instituições jurídicas têm os seus representantes diretos no Parlamento. Aqui no Parlamento estadual nós não temos e, aliás, sou o primeiro candidato defensor público do Estado de São Paulo na história. Essa já seria uma razão suficiente para o povo acreditar, se entusiasmar, e votar em mim: o primeiro defensor público da história do Estado de São Paulo candidato a Deputado Estadual. 

 

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